🌡️ --° São Paulo
Linha do tempo da legislação, dos registros antigos à inteligência artificial — IAtivei
Atualizado em junho de 2026

Regulação da IA no Mundo

Um mapa consultável das principais leis de inteligência artificial por país: o que cada uma estabelece, o que permite, o que proíbe, e onde ler o texto oficial.

Este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento jurídico.

Filtre por estágio regulatório

10 regulações encontradas

Brasil Em tramitação Baseado em risco, com LGPD já em vigor Última atualização: Junho 2026

O Brasil combina regras já vigentes de proteção de dados com uma proposta específica para inteligência artificial. A LGPD regula o uso de dados pessoais, inclusive em decisões automatizadas. O PL 2338/2023 busca criar o Marco Legal da IA, classificando sistemas por nível de risco e prevendo direitos para pessoas afetadas por decisões automatizadas.

Importante: mesmo sem lei específica em vigor, o Judiciário brasileiro já decide casos de IA com o Código Civil, o CDC e a LGPD — veja a seção IA e a Justiça brasileira na prática abaixo.

O que pode

  • Uso de IA de baixo risco com obrigações proporcionais.
  • Sistemas de alto risco com governança, avaliação de impacto e supervisão humana.
  • Uso de dados pessoais quando houver base legal, transparência e proteção de direitos.

O que não pode

  • Usos de risco excessivo que violem direitos fundamentais.
  • Discriminação algorítmica ou decisões automatizadas sem possibilidade de revisão quando houver alto impacto.
  • Tratamento de dados pessoais fora das bases e princípios da LGPD.
Sanções e penalidades

O PL prevê sanções administrativas, incluindo multas que podem chegar a R$ 50 milhões por infração. A LGPD também prevê sanções próprias para uso irregular de dados pessoais.

PL 2338/2023 - Marco Legal da IA (+ LGPD) Ler PL 2338/2023 (Senado)
União Europeia Em vigor Baseado em risco, com aplicação por fases Última atualização: Junho 2026

O AI Act europeu é a regulação horizontal mais abrangente sobre IA. Ele classifica sistemas por risco, proíbe usos considerados inaceitáveis e cria obrigações para sistemas de alto risco e modelos de uso geral. Também pode atingir empresas de fora da União Europeia quando oferecem sistemas ou serviços de IA no bloco.

O que pode

  • IA de risco mínimo com poucas obrigações adicionais.
  • Sistemas de alto risco com documentação técnica, avaliação de conformidade, gestão de risco e supervisão humana.
  • Modelos de uso geral mediante obrigações de transparência e documentação.

O que não pode

  • Práticas de IA consideradas de risco inaceitável.
  • Manipulação cognitiva, social scoring e certos usos biométricos proibidos ou fortemente restritos.
  • Operar sistemas de alto risco sem cumprir requisitos de conformidade.
Sanções e penalidades

As multas podem chegar a 35 milhões de euros ou 7% do faturamento global anual, conforme a infração e o porte da organização.

Regulamento (UE) 2024/1689 - AI Act Ler AI Act (EUR-Lex)
Estados Unidos Fragmentada Sem lei federal única, com regras por estados e agências Última atualização: Junho 2026

Os Estados Unidos ainda não têm uma lei federal abrangente para IA. A governança ocorre por ordens executivas, atuação de agências federais e leis estaduais. O resultado é um ambiente regulatório fragmentado, em que regras de transparência, segurança, proteção de consumidores e deepfakes podem variar conforme o estado e o setor.

O que pode

  • Desenvolvimento e uso comercial de IA com ampla liberdade, salvo regras específicas.
  • Aplicações reguladas por setor, como consumo, trabalho, saúde, educação e finanças.
  • Regras estaduais próprias para transparência, segurança e proteção de usuários.

O que não pode

  • Práticas enganosas ou discriminatórias sujeitas à atuação de agências como FTC e DOJ.
  • Usos proibidos por leis estaduais específicas.
  • Deepfakes, usos com menores e sistemas de alto impacto podem ter restrições locais.
Sanções e penalidades

As penalidades variam por estado, agência e setor. Não há um teto federal único equivalente ao AI Act europeu.

Ordens executivas federais + leis estaduais de IA Ver ordens executivas (White House)
China Setorial Regulação por tipo de aplicação e controle de conteúdo Última atualização: Junho 2026

A China regula IA por camadas e por tipo de aplicação, com normas sobre algoritmos de recomendação, deepfakes, IA generativa e reconhecimento facial. A abordagem combina segurança técnica, controle de conteúdo, rotulagem e alinhamento a diretrizes estatais.

O que pode

  • Desenvolvimento acelerado de IA com apoio estatal.
  • Serviços de IA generativa mediante regras de segurança, registro e rotulagem.
  • Uso de sistemas algorítmicos quando alinhados às normas da autoridade competente.

O que não pode

  • Conteúdo que viole regras estatais de informação e segurança.
  • Deepfakes e síntese profunda sem identificação adequada.
  • Uso irrestrito de reconhecimento facial e dados biométricos em contextos sensíveis.
Sanções e penalidades

As sanções incluem medidas administrativas, correção obrigatória, suspensão de serviços e outras penalidades previstas pelas autoridades reguladoras.

Regulamentos da CAC sobre algoritmos, deepfakes e IA generativa Ver regulação chinesa (CAC)
Japão Em vigor Pró-inovação, com diretrizes e governança cooperativa Última atualização: Junho 2026

O Japão adota uma abordagem favorável à inovação, combinando políticas nacionais, diretrizes para empresas e mecanismos de coordenação entre governo, indústria e sociedade. A ênfase está em desenvolvimento responsável, competitividade e boas práticas, com menos foco em proibições horizontais rígidas.

O que pode

  • Desenvolvimento amplo de sistemas de IA com boas práticas de governança.
  • Cooperação entre governo, empresas e academia.
  • Uso empresarial orientado por diretrizes técnicas e princípios de segurança.

O que não pode

  • Usos que violem leis setoriais, privacidade, segurança ou direitos existentes.
  • Aplicações sem controle adequado quando houver risco relevante.
  • Condutas que contrariem diretrizes reputacionais e de governança responsável.
Sanções e penalidades

A abordagem japonesa privilegia orientação, governança e pressão reputacional, sem um regime horizontal de multas pesadas equivalente ao modelo europeu.

Políticas e diretrizes oficiais de IA do Japão Saber mais (Gabinete do Japão)
Reino Unido Setorial Flexível e setorial, sem lei única horizontal Última atualização: Junho 2026

O Reino Unido optou por uma abordagem pró-inovação, usando reguladores já existentes para aplicar princípios de segurança, transparência, responsabilidade e contestabilidade. Em vez de uma lei geral imediata, o país distribui a governança entre órgãos setoriais.

O que pode

  • Desenvolvimento de IA com ampla liberdade de inovação.
  • Aplicação de princípios gerais por reguladores setoriais.
  • Ajustes por setor conforme risco e contexto de uso.

O que não pode

  • Práticas que violem regras já existentes de proteção ao consumidor, dados, segurança ou não discriminação.
  • Uso sem governança adequada em setores regulados.
  • Aplicações que contrariem orientações específicas de reguladores setoriais.
Sanções e penalidades

As sanções dependem do setor e do regulador competente, em vez de um regime único de multas para IA.

AI Regulation: a pro-innovation approach Ver abordagem do Reino Unido (gov.uk)
Emirados Árabes Unidos Setorial Estratégia nacional, licenciamento e atração de empresas Última atualização: Junho 2026

Os Emirados Árabes Unidos tratam IA como prioridade estratégica de Estado. A abordagem combina investimento público, governança digital, atração de empresas e iniciativas de licenciamento ou supervisão conforme o setor e a zona econômica.

O que pode

  • Operação de empresas de IA em ambiente regulatório favorável à inovação.
  • Testes, serviços digitais e aplicações comerciais conforme regras locais.
  • Uso de IA alinhado à estratégia nacional e aos regimes setoriais aplicáveis.

O que não pode

  • Operar em setores regulados sem licenças ou autorizações exigidas.
  • Usos que contrariem regras nacionais de segurança, dados ou governança digital.
  • Aplicações sensíveis sem observar diretrizes locais.
Sanções e penalidades

As penalidades dependem do regime setorial, de licenciamento e da autoridade competente em cada emirado ou zona regulada.

Estratégia e governança de IA dos Emirados Saber mais (portal oficial u.ae)
Canadá Em tramitação Proposta federal para sistemas de alto impacto Última atualização: Junho 2026

O Canadá discutiu o Artificial Intelligence and Data Act (AIDA) dentro do Bill C-27, com foco em sistemas de alto impacto. A proposta buscava criar obrigações para desenvolvimento, disponibilização e uso de IA, especialmente quando houver riscos relevantes para pessoas e organizações.

O que pode

  • Uso de IA com medidas proporcionais ao risco, conforme proposta.
  • Desenvolvimento e comercialização com gestão de risco e documentação.
  • Aplicações de menor risco com menos exigências específicas.

O que não pode

  • Sistemas de alto impacto sem mitigação de risco, conforme proposta.
  • Usos que produzam danos sem medidas de governança.
  • Práticas já vedadas por leis de privacidade, consumo e direitos humanos.
Sanções e penalidades

As sanções dependem do texto final aprovado. O projeto original previa medidas administrativas e responsabilização para violações graves.

Bill C-27 - Artificial Intelligence and Data Act (AIDA) Ver AIDA / Bill C-27 (Parlamento)
Índia Setorial Orientações nacionais e regulação por setor Última atualização: Junho 2026

A Índia combina estratégia nacional, iniciativas públicas e regras setoriais, sem uma lei horizontal única de IA equivalente ao AI Act. O foco está em desenvolvimento, adoção responsável e tratamento de riscos concretos em áreas sensíveis.

O que pode

  • Desenvolvimento amplo de IA com apoio a inovação e infraestrutura digital.
  • Uso em serviços públicos e privados conforme diretrizes e regras setoriais.
  • Adoção de IA em escala, especialmente quando alinhada a políticas nacionais.

O que não pode

  • Usos que violem leis de dados, segurança, consumo ou normas setoriais.
  • Aplicações danosas em setores sensíveis sem controles adequados.
  • Condutas incompatíveis com orientações governamentais aplicáveis.
Sanções e penalidades

As penalidades variam por setor e por lei aplicável. Não há um regime horizontal único de sanções para IA.

Diretrizes e iniciativas nacionais de IA (MeitY) Saber mais (gov. da Índia)
Portugal Em vigor Aplica o AI Act europeu com supervisão nacional Última atualização: Junho 2026

Como membro da União Europeia, Portugal aplica o AI Act. As obrigações e proibições seguem o regulamento europeu, enquanto a implementação prática depende de autoridades nacionais e setoriais responsáveis por fiscalização, orientação e aplicação.

O que pode

  • Mesmas categorias permitidas pelo AI Act europeu.
  • Sandboxes e testes regulatórios quando previstos.
  • Uso de IA de alto risco mediante conformidade, documentação e supervisão.

O que não pode

  • Práticas proibidas pelo AI Act.
  • Operar sistemas de alto risco sem atender às obrigações aplicáveis.
  • Ignorar obrigações de literacia, transparência e governança quando exigidas.
Sanções e penalidades

Aplicam-se as sanções do AI Act europeu, incluindo multas relevantes conforme tipo de infração e porte da organização.

AI Act aplicado em Portugal Ler AI Act (EUR-Lex)
Além do mapa

IA e a Justiça brasileira na prática

Enquanto o Marco Legal da IA tramita no Congresso, não existe vácuo jurídico no Brasil. Juízes já decidem casos envolvendo inteligência artificial com as leis que existem hoje — principalmente o Código de Defesa do Consumidor, o Código Civil e a LGPD. Esta seção mostra o que isso significa, na prática, para quem usa ou oferece sistemas de IA.

Como a Justiça já decide: Código Civil e CDC

A pergunta mais comum sobre IA e direito no Brasil é "mas ainda não tem lei, certo?". Errado. O que não existe é uma lei específica de IA — o que existe, e já é aplicado, é todo o resto do ordenamento.

Quando um sistema de IA é oferecido a consumidores — um chatbot de atendimento, uma análise automatizada de crédito, uma recomendação de produto — ele entra no regime do Código de Defesa do Consumidor. E o CDC trabalha com responsabilidade objetiva: o fornecedor responde pelo defeito do serviço independentemente de culpa (art. 14). Em termos práticos, "foi o algoritmo que errou" não é defesa. Se o sistema causou dano, quem o oferece responde.

Fora das relações de consumo, o Código Civil cobre o restante: responsabilidade civil por dano, dever de reparação e os princípios gerais que valem para qualquer relação jurídica — incluindo as mediadas por máquina.

O recado prático: empresas que esperam o Marco Legal da IA para "começar a se preocupar" já estão expostas hoje, pelas leis de sempre.

A IA não pode agir de má-fé (e a empresa responde por ela)

O Código Civil estabelece a boa-fé objetiva como princípio das relações contratuais (arts. 113 e 422): as partes devem agir com honestidade, lealdade e transparência. Esse dever vale para a relação — não importa se quem atende do outro lado é um humano ou um sistema automatizado.

Se o chatbot de uma empresa promete uma condição, induz o cliente a erro ou omite informação essencial, a empresa responde como se um atendente humano tivesse feito o mesmo. O caso mais conhecido é internacional: em 2024, a Air Canada foi condenada a honrar uma política de reembolso que seu próprio chatbot havia inventado. O tribunal canadense rejeitou o argumento de que o chatbot seria uma "entidade separada" — a informação no site da empresa é da empresa, ponto. O paralelo com o direito brasileiro é direto: aqui, o resultado tenderia a ser o mesmo, pela via do CDC e da boa-fé objetiva.

O recado prático: o que o seu sistema de IA diz ao cliente é uma promessa sua. Revisar, limitar e monitorar o que ele pode afirmar não é capricho técnico — é gestão de risco jurídico.

O advogado, a tese e a IA que "mentiu"

Em 2023, um caso americano ficou famoso no mundo jurídico: advogados protocolaram uma petição com jurisprudência gerada pelo ChatGPT — e os precedentes citados simplesmente não existiam. O episódio (conhecido como o caso Avianca) terminou em sanção para os advogados. Desde então, ocorrências semelhantes vêm sendo registradas em vários países, incluindo o Brasil, onde tribunais e órgãos da advocacia passaram a tratar o tema com atenção.

O ponto técnico importante: a IA não "mentiu" no sentido humano. Modelos de linguagem geram texto plausível com base em padrões estatísticos — eles não consultam uma base de jurisprudência nem verificam fatos. Quando o modelo não sabe, ele pode produzir uma resposta com aparência de verdade. Esse fenômeno tem nome: alucinação. Não é defeito raro; é característica conhecida da tecnologia.

A regra que resolve o problema cabe em uma frase: a responsabilidade pelo conteúdo é sempre de quem assina. IA serve como rascunho, ponto de partida e acelerador de pesquisa — nunca como fonte final. Todo dado verificável (precedente, artigo de lei, número, citação) precisa ser conferido na fonte oficial antes de ir para qualquer documento com o seu nome.

Caixa preta, risco de modelo e falta de manutenção

Um sistema de IA moderno não é um programa tradicional. Software comum é determinístico: dado o mesmo input, produz o mesmo output, e um erro (um bug) pode ser localizado e corrigido no código. Modelos de IA são sistemas estatísticos: têm comportamento parcialmente imprevisível, e nem seus criadores conseguem explicar com precisão por que uma resposta específica foi gerada. É o que se chama de problema da caixa preta.

Juridicamente, isso tem duas consequências importantes. A primeira: imprevisibilidade não exime responsabilidade. O Código Civil prevê que quem explora atividade que, por sua natureza, cria risco para terceiros responde pelos danos causados (art. 927, parágrafo único). Adotar um sistema que ninguém consegue explicar totalmente é uma escolha — e o risco dessa escolha é de quem a faz, não de quem é afetado por ela.

A segunda: modelo sem manutenção degrada. O mundo muda, os dados mudam, e um sistema que funcionava bem quando foi implantado pode passar a errar — ou a discriminar — anos depois, sem que ninguém tenha alterado uma linha de código. O fenômeno é conhecido como deriva de modelo (model drift). Um sistema que "não refletiu de forma consistente" a realidade atual por falta de revisão tende a ser lido pelo Judiciário como negligência, não como fatalidade técnica.

O recado prático: IA não é projeto com data de entrega — é operação contínua. Quem implanta precisa prever monitoramento e revisão periódica desde o início.

Transparência: o sistema precisa ser compreensível, inclusive no diálogo

Transparência em IA costuma ser reduzida a publicar uma política de privacidade. É muito mais que isso — e a parte mais importante acontece na própria interação com o usuário.

Três camadas práticas: a pessoa tem o direito de saber que está interagindo com uma IA (chatbot que se passa por humano já é problema hoje, por violar o dever de informação); decisões automatizadas que afetam alguém precisam ser explicáveis em linguagem compreensível — não em jargão técnico nem em "o sistema decidiu assim"; e a LGPD já garante, desde 2018, o direito de solicitar revisão de decisões tomadas unicamente de forma automatizada (art. 20). O PL 2338 amplia e detalha esses direitos, mas a base já está em vigor.

O recado prático: se a sua empresa usa IA para decidir algo sobre pessoas — crédito, contratação, preço, atendimento — alguém precisa conseguir explicar essa decisão a quem foi afetado por ela. Se ninguém consegue, o problema não é de comunicação: é de governança.

Diversidade, não discriminação e o mínimo de governança

Discriminação algorítmica é o risco que mais aparece tanto nos textos legais quanto nas discussões judiciais sobre IA: sistemas de recrutamento que desfavorecem determinados grupos, análises de crédito com viés, reconhecimento facial com taxas de erro desiguais entre populações. O viés raramente é intencional — ele entra pelos dados históricos com que o modelo foi treinado. Mas a ausência de intenção não elimina a responsabilidade: "foi o algoritmo" não existe como defesa jurídica.

É aqui que governança e ética deixam de ser conceitos abstratos e viram um checklist mínimo: saber quais sistemas de IA a organização usa (inventário); ter um responsável humano designado por cada um; avaliar o impacto antes de implantar sistemas que decidem sobre pessoas; revisar periodicamente o comportamento do modelo (o que conecta com a manutenção do bloco anterior); e manter um canal para que pessoas afetadas possam contestar decisões.

Nada disso exige o Marco Legal da IA para começar. Tudo isso já reduz exposição jurídica hoje — e será exigência formal quando (e como) o PL 2338 for aprovado.

Este mapa é uma síntese informativa. Para decisões jurídicas, regulatórias ou de compliance, consulte o texto oficial e um profissional especializado.